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domingo, 13 de julho de 2014

✗ Ilusão de viver ✗

Acordei com o som da chuva a cair suavemente sobre o parapeito da janela, era uma chuva tão suave quanto eu naquele momento, uma chuva singela e meiga ... era uma chuva perfeita ! A chuva convidava-me a ficar na cama, mas eu sabia que não podia então levantei-me, desci as escadas e reparei que na mesa da cozinha se encontrava um bilhete, o qual dizia ''Filha, hoje tive de sair mais cedo, porta-te bem, não sei a que horas volto, mas se chegar e tu já estiveres a dormir só quero que saibas que te adoro e desejo um bom dia, não te quis acordar para dizer isto porque quando abri a porta do teu quarto e te vi a dormir lembrei-me de quando eras pequena e apenas te dei um beijo, beijinhos filhota amo-te !!'', ao ler isto fiquei indiferente, mas esqueci-me a quantidade de sentimentos que ela envolvia ... o dia se passou e só quando chegou a noite eu percebi a falta que a minha mãe me fazia, então liguei-lhe só porque sim, só para ouvir a doce voz dela, só para saber se estava tudo bem.
Durante esse dia, dei voltas e voltas pela casa, os meus ténis quando ficaram sem sola de tanto caminhar, estava presa numa solidão sem fim, tive vontade de fugir dali e apenas escrever um bilhete a dizer ''Fui viajar sem destino'' mas, pensei que ao fazer isso iria sofrer mais e os meus familiares também, então fiquei quieta no meu canto e coloquei os fones com a esperança de a música abafar todo o sofrimento, mas nada .... eu ainda me lembrava mais do que se passava, a música estava no máximo mas eu queria mais ...
Entrei em pânico, só me apetecia gritar, chorar, berrar e desaparecer do mundo, fui para o meu canto, sentei-me, encostei os meus joelhos ao peito e sobre eles derramei lágrimas de solidão, lágrimas suaves como a chuva ! Ninguém me podia ajudar, ninguém estava lá para me apoiar, não tinha um ombro amigo, nada ... naquele momento era eu e eu mesma, de tanto chorar sobre meus pés estava uma possa de sangue, porque de tanto sofrimento as lágrimas ao caírem no chão se transformaram em sangue, sangue puro e infeliz !
Iludi-me com meras palavras ditas em vão, fui estúpida em acreditar que todas as promessas feitas iriam ser cumpridas, fui otária ao pensar que tudo iria ser diferente, fui posta de parte por causa da minha fragilidade.
As minhas lágrimas começaram a ficar mais fortes, como a chuva, e conforme a chuva caía no chão as minhas lágrimas também caíam, com mais força, com mais rapidez, elas escorriam pelo meu rosto mais rápido que o fechar dos meus olhos ... os olhos já vermelhos e frágeis, os olhos já repletos de lágrimas começavam a ficar cansados, então fui me deixando cair sobre o tapete já húmido e acabei por adormece.
O relógio já batia 22h e eu acordei sobressaltada, levantei-me do chão e fui até ao quarto da minha mãe e nada... regressei para o meu canto e sobre o meu colo as lágrimas caiam de novo e o meu choro já se transformava em gritos desesperados e de repente ouço um bater de portas e com a manga da camisola limpei rapidamente as minhas lágrimas e corri até à entrada para ver quem era, era a minha mão que tinha chegado, abri os braços e abracei-a, sussurrei no ouvido dela ''Adoro-te mãe, sabia ?!'' ela ficou com cara de admiração e disse ''Eu também filha'' e deu-me um beijo. Com este gesto voltei para a cama e adormeci sobre um sonho que nunca mais acabará (...)
A ilusão da vida envolveu-me sobre um desespero total que levaram a medo e tristeza, em mim se despertou a morte e a morte espetou em mim um medo de viver porque a morte não sabe perder e nunca iria aceitar uma derrota, então lutei contra ela, porém, cai redonda no chão, frágil, a morte aí virou costas e quando menos esperava eu levantei-me e fui contra ela, mas a morte gosta de sofrimento e farta de sofrer estava eu, fui com unhas e dentes ter com ela e venci-a!

Agora apenas me restava acreditar que viver seria o melhor, fiquei com uma imagem negativa da vida e com isso cresceu uma ilusão de viver. Se fui feliz ? Fui, mas não sou mais desde o dia em que tudo decidiu dividir em dois o que era um só !

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